Caixa de texto:  SEM REMÉDIO
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio.
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Caixa de texto: VELHINHA
Se os que me viram já cheia de graça 
Olharem bem de frente para mim, 
Talvez, cheios de dor, digam assim: 
"Já ela é velha! Como o tempo passa!..." 

Não sei rir e cantar por mais que faça! 
Ó minhas mãos talhadas em marfim, 
Deixem esse fio de oiro que esvoaça! 
Deixem correr a vida até ao fim! 

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha! 
Tenho cabelos brancos e sou crente... 
Já murmuro orações... falo sozinha... 

E o bando cor-de-rosa dos carinhos 
Que tu me fazes, olho-os indulgente, 
Como se fosse um bando de netinhos...