Caixa de texto:  CARAVELAS
Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...
 
Caixa de texto: A NOITE DESCE
Como pálpebras roxas que tombassem 
Sobre uns olhos cansados, carinhosas, 
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas 
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!

Assim mãos de bondade me embalassem! 
Assim me adormecessem, caridosas, 
E em braçadas de lírios e mimosas, 
No crepúsculo que desce me enterrassem! 

A noite em sombra e fumo se desfaz... 
Perfume de baunilha ou de lilás, 
A noite põe-me embriagada, louca! 

E a noite vai descendo, muda e calma... 
Meu doce Amor, tu beijas a minh'alma 
Beijando nesta hora a minha boca!