Caixa de texto: SAUDADES
Saudades! Sim...talvez... e porque não?... 
Se o nosso sonho foi tão alto e forte 
Que bem pensara vê-lo até à morte 
Deslumbrar-me de luz o coração! 

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! 
Que tudo isso, Amor, nos não importe. 
Se ele deixou beleza que conforte 
Deve-nos ser sagrado como o pão! 

Quantas vezes, Amor, já te esqueci, 
Para mais doidamente me lembrar, 
Mais doidamente me lembrar de ti! 

E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar 
Mais a saudade andasse presa a mim!
 
Caixa de texto: CREPÚSCULO
Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes
Borboletas de sol, de asas magoadas,
Poisam nos meus, suaves e cansadas,
Como em dois lírios roxos e dolentes....

E os lírios fecham...Meu amor não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E as minhas pobres mãos maceradas
Como vagas saudades de doentes...

O Silêncio abre as mãos ...entorna rosas...
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando...

E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha
Um coração ardente, palpitando...