Caixa de texto: RENÚNCIA

A minha mocidade outrora eu pus 
No tranquilo convento da Tristeza; 
Lá passa dias, noites, sempre presa, 
Olhos fechados, magras mãos em cruz... 

Lá fora, a Lua, Satanás, seduz! 
Desdobra-se em requintes de Beleza... 
É como um beijo ardente a Natureza... 
A minha cela é como um rio de luz... 

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada! 
Empalidece mais! E, resignada, 
Prende os teus braços a uma cruz maior! 

Gela ainda a mortalha que te encerra! 
Enche a boca de cinzas e de terra, 
Ó minha mocidade toda em flor! 
Caixa de texto:  A VIDA

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo ou o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!...