Caixa de texto: MAIS ALTO 

Mais alto, sim! Mais alto, mais além 
Do sonho, onde morar a dor da vida, 
Até sair de mim! Ser a Perdida, 
A que se não encontra! Aquela a quem 

O mundo não conhece por Alguém! 
Ser orgulho, ser águia na subida, 
Até chegar a ser, entontecida, 
Aquela que sonhou o meu desdém! 

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível 
Turris Eburnea erguida nos espaços, 
À rutilante luz dum impossível! 

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber 
O mal da vida dentro dos meus braços, 
Dos meus divinos braços de Mulher!
 
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Meu Amor, não é nada: sons marinhos 
Numa concha vazia, choro errante... 
Ah!olhos que não choram!Pobrezinhos... 
Não há luz neste mundo que os levante! 

Eu andarei por ti os maus caminhos 
E as minhas mãos, abertas a diamantes, 
Hão-de crucificar-se nos espinhos 
Quando o meu peito for o teu mirante! 

Para que os corpos vis te não desejem, 
Hei-de dar-te o meu corpo, e a boca minha 
Pra que bocas impuras te não beijem! 

Como quem roça um lago que sonhou, 
Minhas cansadas asas de andorinha 
Hão-de prender-te todo num só voo...