Caixa de texto: A VOZ DE TÍLIA 

Diz-me aTília a cantar: "Eu sou sincera, 
Eu sou isto que vês: o sonho, a graça; 
Deu ao meu corpo, o vento, quando passa, 
Este ar escutultural de bayadera... 

E de manhã o sol é uma cratera, 
Uma serpente de oiro que me enlaça... 
Trago nas mãos as mãos da Primavera... 
E é para mim que em noites de desgraça 

Toca o vento Mozart, triste e solene, 
E à minha alma vibrante, posta a nu, 
Diz a chuva sonetos de Verlaine..." 

E, ao ver-me triste, a tília murmurou; 
"Já fui um dia poeta como tu... 
Ainda hás-de ser tília como eu sou..."
 
Caixa de texto: NERVOS DE OIRO 

Meus nervos, guizos de oiro a tilintar, 
Cantam-me na alma a estranha sinfonia 
Da volúpia, da mágoa e da alegria, 
Que me faz rir e que me faz chorar! 

Em meu corpo fremente sem cessar, 
Agito os guizos de oiro da folia! 
A Quimera, a Loucura, a Fantasia, 
Num rubro turbilhão sinto-As passar! 

O coração numa imperial oferta, 
Ergo-o ao alto!E, sobre a minha mão, 
É uma rosa de púrpura, entreaberta! 

E em mim, dentro de mim, vibram dispersos 
Meus nervos de oiro, esplêndidos, que são 
Toda a Arte suprema de meus versos!