Caixa de texto: TEUS OLHOS 

Olhos do meu Amor! Infantes loiros 
Que trazem os meus presos, endoidados! 
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros: 
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados. 

Neles ficaram meus palácios moiros, 
Meus carros de combate, destroçados, 
Os meus diamantes, todos os meus oiros 
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados! 

Olhos do meu Amor! Fontes...cisternas... 
Enigmáticas campas medievais... 
Jardins de Espanha...catedrais eternas... 

Berço vindo do Céu à minha porta... 
Ó meu leito de núpcias irreais!... 
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
 
Caixa de texto: NÃO SER 

Quem me dera voltar à inocência 
Das coisas brutas, sãs, inanimadas, 
Despir o vão orgulho, a incoerência: 
-- Mantos rotos de estátuas mutiladas! 

Ah! Arrancar às carnes laceradas 
Seu mísero segredo de consciência! 
Ah! Poder ser apenas florescência 
De astros em puras noites deslumbradas! 

Ser nostálgico choupo ao entardecer, 
De ramos graves, plácidos, absortos 
Na mágica tarefa de viver! 

Ser haste, seiva, ramaria inquieta, 
Erguer ao sol o coração dos mortos 
Na urna de oiro duma flor aberta!...