Caixa de texto:  SONHO VAGO 

Um sonho alado que nasceu um instante, 
Erguido ao alto em horas de demência... 
Gotas de água que tombam em cadência 
Na minh'alma tristíssima, distante... 

Onde está ele, o Desejado? O Infante? 
O que há-de vir e amar-me em doida ardência? 
O das horas de mágoa e penitência? 
O Príncipe Encantado? O Eleito? O Amante? 

E neste sonho eu já nem sei quem sou... 
O brando marulhar dum longo beijo 
Que não chegou a dar-se e que passou... 

Um fogo-fátuo rútilo, talvez... 
E eu ando a procurar-te e já te vejo! 
E tu já me encontraste e não me vês!...
Caixa de texto: VOZ QUE SE CALA 

Amo as pedras, os astros e o luar 
Que beija as ervas do atalho escuro, 
Amo as águas de anil e o doce olhar 
Dos animais, divinamente puro. 

Amo a hera que entende a voz do muro 
E dos sapos, o brando tilintar 
De cristais que se afagam devagar, 
E da minha charneca o rosto duro. 

Amo todos os sonhos que se calam 
De corações que sentem e não falam, 
Tudo o que é Infinito e pequenino! 

Asa que nos protege a todos nós! 
Soluço imenso, eterno, que é a voz 
Do nosso grande e mísero Destino!...